Autor tirou Paraguai da terra da ficção
O escritor norte-americano Donald Barthelme é autor de um conto chamado “Paraguay” em que diz, a certa altura: “Assim, encontrei-me numa terra estranha”. O país latino-americano torna-se, na narrativa, sinônimo de irrealidade. Uma visão ficcional, distorcida se a gente quiser, mas não muito diferente daquela que nós, brasileiros, adquiríamos na escola ao ler sobre a Guerra do Paraguai. Existe, contudo, um Paraguai verdadeiro, um país sofrido e pobre, em cuja capital encontrei há três anos esta figura verdadeiramente lendária da literatura hispânica Augusto Roa Bastos, de biografia tão tumultuada quanto a história de seu país. Nascido em Assunção, era filho de um pai aristocrático e autoritário e de uma mãe suave e gentil que era grande leitora e o iniciou na literatura. Fugiu de casa e, ainda adolescente, participou de guerra contra a Bolívia. Anos mais tarde percorreu a Europa, trabalhando como jornalista. Regressou em 1947, mas teve de se exilar por causa da ditadura. Leitor voraz, Roa Bastos estava familiarizado com as obras de Rilke, Valéry, Cocteau, Eluard, Breton, Aragon e, especialmente, Faulkner. Não surpreende, portando, que cedo tenha se encaminhado para a ficção.
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