Fé na vida
Eles são os amigos mais improváveis: um deles, um poeta americano apaixonado pelas palavras, que descreve a si mesmo como imprestável e sensual, com uma grande suspeita quanto à autoridade. O outro, um monge chinês idoso, impregnado de uma tradição antiga e dedicado à lembrança de seu ascético mestre de meditação. As vidas dos dois se juntam nessa extraordinária viagem que nos leva de vilas ainda medievais da Mongólia Central a uma Hong Kong moderna, cheia de magia negra e surpreendente materialismo. No livro Ossos do mestre (Bertrand, 310 pp., R$ 39) de George Crane, a viagem começa em 1959, quando um jovem monge chamado Tsung Tsai escapa das tropas do Exército Vermelho que destroem seu mosteiro e foge sozinho, percorrendo quase cinco mil quilômetros através de uma China varrida pelo caos e pela fome. Escondido sob seu casaco de camponês, ele leva um livro de poesia e seu certificado de monge, que representam a sua morte caso seja descoberto. Sua missão: levar adiante os ensinamentos de seu mestre budista Ch’na, Shiuh Deng, que estava velho demais para partir com seu discípulo. Quase 40 anos depois, Tsung Tsai – agora ele próprio um velho mestre – viaja com seu cético amigo Craine de volta à sua terra natal, na borda do Deserto de Gobi. A China se agita com uma renovação espiritual, e Tusng Tsai está determinado a encontrar o túmulo de Shiuh Deng e construir um santuário em sua honra. Ignorando as restrições a vistos de entrada no país, intimidando burocratas hostis, os dois homens reencontram um mundo perdido de crença e superstição quase extinto pela história. Enquanto a busca dos dois culmina numa tortuosa escalada a uma remota caverna na montanha, evidencia-se que essa busca aparentemente quixotesca pode custar a vida de Tsung Tsai.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta


