Correspondência entre amigos
Cartas aos Amigos Caio Porfírio Carneiro e Fábio Lucas (Ateliê Editorial, 148 pp., R$ 25) traz cartas e depoimentos, mas principalmente uma enormidade de informações e sensações de outra época que, certamente, contribuirão para a leitura e releitura da obra e da personalidade de João Antônio. Nas rápidas 148 páginas do pequeno e simpático volume, nomes como os de Ênio da Silveira, Mario da Silva Brito, Paulo Dantas, entre tantos outros, vão surgindo e ajudando a localizar o leitor em uma atmosfera trazida com grande vigor e ímpeto desde as primeiras palavras em que João Antônio se define: “Alguém perguntado por mim aí em São Paulo, na UBE ou qualquer canto, vá dizendo que estou no Rio. Trabalhando, vivendo, amando, bebendo, fandangando e praiando. Na graça de Deus. E diga-lhes, especialmente, que João Antônio é um cara que tem um grande sentido trágico. Portanto, procura para amenizar os dramas terríveis de sua curta vida, festejar enfeitando sua curta vida. Do pitoresco, do marinho. E muito particularmente, da beleza de tom das mulatas. Assino e dou fé”. Com esse mesmo espírito, às cartas seguem os depoimentos de cada um dos amigos Caio, Fábio Lucas e de Monteiro Lobato. Nestes relatos, são descritos pelos amigos os primeiros encontros, a ternura do enlace entre camaradas, a importância da amizade para a produção literária de cada um. A edição ainda oferece o prazer de um fac-símile de João Antônio, de 31 de janeiro de 1970, enviada a Caio.
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