Empate no campo da história
Em 1972, como parte das comemorações, quase todas oficiais, do sesquicentenário da independência nacional, aconteceu um jogo de futebol entre Brasil e Portugal. Num País onde o futebol sempre funcionou como metáfora silenciosa que aciona o gatilho do inconsciente coletivo, muitos se lembram desse amistoso e do seu sugestivo resultado – um empate. Entre a enxurrada de publicações que relembravam o célebre grito do Ipiranga em 1822, poucos se lembram, contudo, de um ensaio que também estimulava os historiadores a mudarem o foco de suas análises, sugerindo – em vez da imagem da colônia em luta com a metrópole – uma espécie de empate histórico entre Brasil e Portugal. É este ensaio, acrescido de dois outros escritos de Maria Odila da Silva Dias – clássicos de referência obrigatória na historiografia brasileira – que são finalmente reeditados em A Interiorização da Metrópole e outros Estudos (Alameda Editorial, 166 pp., R$ 32). Mas não se iludam os leitores com o termo ensaio – apenas um rótulo cômodo para alguns dos melhores estudos da historiografia social brasileira, extremamente bem documentados, compondo um denso painel histórico das épocas anteriores e posteriores à ruptura dos vínculos políticos que prendiam o Brasil a Portugal.
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