Chutes e dribles contra o onanismo
O futebol, quem diria, deve muito à repressão religiosa das práticas de “autoconhecimento corporal”. Em Those feet: a sensual history of English football (Bloomsbury, 288 pp., 14,99 libras), David Winner explica como o futebol inglês e parte da identidade do país foi criada a partir da tentativa da igreja de evitar as práticas masturbatórias dos ingleses. A repressão sexual foi um elemento fundamental do ideal físico vitoriano do fim do século 19. Segundo as regras cristãs, que ditavam a construção da masculinidade inglesa, a rotina de exercícios diários serviria para moldar o corpo e evitar o auto-erotismo noturno. Essa rotina era controlada de perto pelo reverendo Edward Thring, citado no livro de Winner. Thring foi coordenador da Upham School e seu irmão participou ativamente da criação da Associação de Futebol Inglesa. Não demorou para que o esporte se espalhasse pelas escolas públicas, complemento ao “ideal cristão de masculinidade. Força, coragem e vigor se tornaram prioridades em relação ao talento artístico e beleza”.
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