Muito além da França
Um Chaplin com cara de Rodolfo Valentino mas que, no fundo, era um sertanejo seco, rijo, obstinado — e até o fim capaz de sonhar, emocionar-se a ponto de morrer com o rosto banhado em lágrimas numa sala de cinema nos EUA: assim era o “sósia barbeiro”, o homem que certo dia, em sua barbearia, foi escolhido para viver como se fosse o ditador de um país chamado Piauí. Em seu livro, o recém-lançado O ditador e a rede (Rocco), o francês Daniel Pennac conta, a partir de suas memórias do Nordeste do Brasil – onde morou no fim dos anos 70 –, a história dos Pereiras (o ditador e seus sósias). E, curiosamente, ele não é o único francês com livros lançados neste período da Bienal do Livro — que, entre 12 e 22 de maio, no Riocentro, terá a França como país homenageado — a passar ao largo de Paris para explorar novas fronteiras. Tony Cartano, um dos convidados da Bienal, lançará Milonga (Record), que se passa metade na Argentina, metade na Europa; Frédéric Beigbéder, com seu estilo provocador, publica Windows of the world (título em inglês mesmo), no qual aborda o atentado às Torres Gêmeas em Nova York. Além disso, Jean-Christophe Rufin, que também virá ao Rio, é o autor do premiado Vermelho-Brasil (Objetiva), obra de muito sucesso em seu país, sobre a experiência da França Antártica, no Rio da época colonial.
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