Editoras acusam o governo de só comprar didáticos mais baratos
Editoras acusam o governo estadual de optar por livros didáticos mais baratos e induzi-las a fabricar produtos com poucas páginas e de pior qualidade. São Paulo é o único Estado em que a compra não é gerenciada pelo Ministério da Educação (MEC). No restante do País, as escolas escolhem duas opções de livros que pretendem adotar e a primeira delas só não é adquirida pelo MEC quando há problemas nas negociações com as editoras. Aqui, a escolha é feita toda pela internet; as escolas indicam uma primeira e uma segunda opção e o Estado compra sempre a obra mais barata. O preço dos livros é determinado pela quantidade dos cadernos tipográficos, que são blocos com um certo número de páginas. Portanto, quanto mais fino, mais barato é o livro didático. “Se você tem um ótimo livro de 200 páginas, você é obrigado a reduzir se o outro que está concorrendo com o seu tem 150 páginas”, diz João Arinos, presidente da Associação Brasileira de Editores de Livros (Abrelivros), que congrega cerca de 30 empresas que publicam obras didáticas. “Quem tem livro grosso não vende para São Paulo.” A concorrência entre os livros é feita apenas na internet. Segundo a coordenadora do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) na Secretaria de Educação de São Paulo, Aidê Magalhães Benfatti, é o computador que escolhe automaticamente o mais barato entre os dois sugeridos pelos professores. O Estado não fica sequer sabendo se o livro comprado foi a primeira ou a segunda opção do professor. O PNLD compra novos livros a cada três anos para alunos de 1.ª a 4.ª série e de 5.ª a 8.ª série. Em 2005, houve compras apenas para o segundo grupo. Nos intervalos do processo, os livros devem ser reaproveitados pelos alunos.
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