Globo relança obra mais polêmica de Hilda Hilst
O caderno rosa de Lori Lamby (Globo, 128 pp., R$ 35) é o primeiro livro da tetralogia obscena de Hilda Hilst – da qual fazem parte também os livros Contos d’escárnio / Textos grotescos, Bufólicas e Cartas de um sedutor. A obra, lançada em 1990, chegou a ser recusada por editores e provocou espanto e indignação à época. A própria autora descreveu o livro como “uma divertida bandalheira” e afirmou que, cansada da impopularidade, escreveu o Caderno rosa com o intuito de conquistar o reconhecimento do público e vender livros. O livro, em grande parte escrito na forma de diário, apresenta uma menina de oito anos que vende seu corpo incentivada por seus pais proxenetas. A obra é, sim, obscena e põe em cheque a moralidade dos leitores, pois é quase impossível realizar uma leitura frígida dos relatos de Lori Lamby. Mas, apesar do impacto inicial causado pelo tema da pedofilia, o livro vai muito além. A própria literatura é alvo de obscenidades: gêneros intercalados, cartas, relatos, citações pervertidas de grandes autores como D. H. Lawrence, Henry Miller ou Georges Bataille. Aquilo que, a princípio, aparece no texto como possíveis e singelos erros de escrita de uma criança recém-alfabetizada aponta para um estudo lexicológico, para uma etimologia das sensações, fazendo soluçar a gramática.
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