Estrangeiro em sua própria terra
Embora seja mais conhecido por seus ensaios sobre arte e filosofia, o intelectual espanhol Rafael Argullol também é respeitado mundo afora como romancista. Seus textos ficcionais são um convite à reflexão. É o caso de Transeuropa (Rocco, 172 pp., R$ 26), romance que leva o leitor a pensar sobre a relação entre memória, identidade e consciência. Victor, o narrador, é um engenheiro que, embora tenha nascido em Moscou, não se sente russo de forma alguma. Talvez, em parte, por seu país de origem já não existir, a União Soviética. Mas o que pesa mais é o fato de ele ter crescido na Espanha, um lugar completamente diferente. Victor só viaja à Rússia porque o destino quis que ele fosse responsável pela construção de uma ponte sobre o rio Volga. Portanto, é a trabalho que ele retorna ao país, mas será inevitável esbarrar em suas raízes ao longo do percurso. A viagem de Victor através do Leste da Europa causa-lhe grande estranheza. Criado no Oeste organizado e desenvolvido, ele só enxerga caos e pobreza no outro lado de seu continente.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta


