Um novo olhar sobre a revolução cubana
Quando se fala de revolução cubana, é muito provável que uma de três imagens recorrentes influencie o debate: a convicção de que ela foi fruto do alto grau de subdesenvolvimento do país e que seu processo seria aplicável aos outros países da América Latina; a adoção do modelo soviético e a simples substituição de uma situação de vassalagem por outra; e que o fim da União Soviética significa, inevitavelmente, que Cuba será obrigada a adotar o modelo da democracia liberal a curto ou médio prazo. Desmontando estes mitos um a um, Luis Fernando Ayerbe oferece em A Revolução Cubana (Unesp, 133 pp., R$ 18) uma visão abrangente do processo revolucionário e das relações entre Cuba e EUA. Mostra que tanto quanto o subdesenvolvimento e os mecanismos de opressão compartilhados com outros países latino-americanos, situações específicas da ilha tiverem um peso decisivo para a queda do governo de Fulgencio Batista, em 1959. Ou que mais do que pensar em um alinhamento automático com o governo soviético, é preciso atentar para as relações Cuba-Estados Unidos para entender a ascensão do modelo socialista. Neste sentido, Ayerbe também mostra que a imposição do “modo de vida ocidental” não é adotado da mesma forma em todos os países e que os desafios colocados pela globalização podem ser respondidos de uma maneira diversa pela sociedade cubana, que buscaria “fortalecer e resguardar espaços autônomos de decisão”.
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