Livreiros em pauta
Cada vez mais atenção recai sobre a figura responsável por intermediar a relação entre aquelas grandes estantes das livrarias e seus freqüentadores. Pois é, os atendentes passaram a ser mais exigidos, criticados por um lado, elogiados por outro, mas viraram assunto de debate e índice de profissionalização das livrarias. Para conhecer melhor esse grupo, o Jornal do Brasil encomendou uma pesquisa inédita, executada pelo Laboratório UniCarioca de Pesquisas Aplicadas (LUPA), traçando um perfil socio-econômico e um mapa aproximado de hábitos de leitura desses personagens. O método foi uma coleta de dados via questionário. Foram ouvidos, em 28 de janeiro, 107 atendentes de três redes de livrarias de formato megastore – Saraiva, Siciliano e Fnac – e de três outras de perfil, digamos, mais intimista – Travessa, Letras & Expressões e Argumento. O resultado desmente vários mitos. De imediato, chama a atenção o certo equilíbrio entre os níveis educacionais dos livreiros: a maioria, 52%, tem nível secundário; e 41% cursa ou tem nível superior completo. Apenas 6% têm o fundamental e pouquíssimos têm mestrado (2%). Como se poderia prever, entretanto, a maior parte de atendentes sem nível superior está nas lojas de rede. Essa divisão dialoga de forma curiosa com a faixa etária: 43% dos atendentes está entre 21 e 26 anos; 20%, entre 27 e 30 anos; e 33%, entre 31 e 40. O dado interessante é que 34% dos atendentes trabalham em livrarias há menos de um ano e outros 30%, entre um e três anos, sugerindo considerável rotatividade nessa função, na qual o emprego dificilmente é encarado como carreira. Todos esses dados conduzem outra polaridade de perfil: os atendentes das livrarias intimistas são, em média, mais velhos, de nível educacional mais alto e mais bem pagos. Enquanto um livreiro de grande rede fica ali pelos R$ 600, um das intimistas pode receber R$ 1.500. O que isso tem a ver com hábitos de leitura? Ora, 34% dos entrevistados afirmaram ter lido mais de 10 livros no último ano. Leram entre 6 e 10, 29%; e outros 27% leram de 2 a 5. Apenas 10% disseram ter lido apenas um livro. Todas as livrarias pesquisadas possuem mecanismos de incentivo para a leitura dos funcionários.
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