A volta de Quaderna, o Quixote da caatinga
Pode até ter sido mera coincidência o escritor paraibano radicado em Recife Ariano Suassuna haver permitido, após um longo hiato de 31 anos, a reedição de sua obra-prima em prosa de ficção, Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta (José Olympio, 646 pp., R$ 69), neste mesmo ano em que se comemoram os 400 anos de Dom Quixote de la Mancha, de Miguel de Cervantes, a primeira novela da história da literatura mundial. Mas a verdade é que há muito mais coincidências entre a saga do cavaleiro andante e a do poeta-palhaço sertanejo que a primeira letra de seus nomes – Quixote e Quaderna. Na nova e caprichada edição com que a José Olympio está substituindo agora, tendo afinal obtido a autorização do renitente autor, a velha, já ensebada e rara última edição ainda dos anos 70 do século passado, foi incluído o posfácio do grande escritor pernambucano, infelizmente muito pouco conhecido no Sudeste, Maximiano Campos (1941-1998). Em seu texto, esse expoente da Geração de 65 deu aquela que talvez seja a melhor definição do protagonista do romance: “Quaderna é um misto de Quixote e Sancho, com predominância de Quixote”.
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