Conhecimento sob suspeita
Nos extremos, a disciplina Teoria da Literatura pode ser encarada ora como “perfumologia”, ora como “indecidibililogia”. Compreendem-na no primeiro caso aquelas pessoas que têm muito pouca intimidade com literatura, a ponto de ainda acharem, como o cura de Don Quijote de La Mancha há 400 anos, que a leitura de livros de poesia ou ficção “faz mal”, afastando-nos da “realidade”. Compreendem-na no segundo caso aquelas pessoas que já têm bastante intimidade com literatura, mas se ressentem não apenas do jargão pesado dos textos teóricos, como também das longas discussões sobre aporias e impasses que, por definição, não podem ser resolvidos. Entre estes extremos, um pecando por excesso de ignorância e o outro, talvez, por excesso de presunção, encontra-se a alternativa de perceber a Teoria da Literatura como uma espécie de epistemologia, isto é, de teoria do conhecimento. Ora, o livro de Maria Antonieta Jordão de Oliveira Borba, Tópicos de teoria (7Letras, 230 pp., R$ 34), insere-se à perfeição nesta terceira via.
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