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A folia contada pode ter sua graça

04 de fevereiro de 2005
1 min de leitura

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A literatura carnavalesca no Brasil oscila entre dois extremos: as publicações deslumbradas pelo brilho da festa, que se esgotam na admiração, e os estudos acadêmicos que colocam Momo nas mesas de laboratório, dissecando-o de modo tão asséptico que lhe retiram qualquer vestígio de sinal vital. Dois livros lançados este mês rompem o círculo vicioso. Nem babam de gozo sobre Momo e muito menos o tratam como objeto exótico de análise. O carioca Felipe Ferreira se autodefine como “carnavalesco praticante desde a infância”, mas ao hábito que remonta às fraldas acrescenta sólida formação intelectual – é doutor em geografia cultural pela veneranda Sorbonne e mestre em antropologia da arte pela UFRJ. Em seu Livro de Ouro do Carnaval Brasileiro (Ediouro, 420 pp., R$ 49,90), ele responde a praticamente todas as perguntas imagináveis. Afinal, o Carnaval é brasileiro ou remonta à mais remota Antigüidade? Em O Carnaval das Letras (Unicamp, 320 pp., R$ 28,00), Leonardo Affonso de Miranda Pereira, professor de teoria literária na Unicamp, faz análises divertidas e consistentes sobre quatro exemplos ficcionais do fim de século 19 carioca.

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