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A guerra do Grande Sertão

19 de dezembro de 2004
2 min de leitura

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A pergunta de Riobaldo logo no começo de Grande Sertão: Veredas não deixa dúvidas: seu interlocutor pode ser tanto um “doutor” como o diabo em pessoa. O ex-jagunço, que fez um pacto com o demônio, é incapaz de reconhecê-lo, mas o “coisa ruim” jamais esquece quem o procura. Dois anos antes de completar meio século, o clássico do mineiro João Guimarães Rosa (1908-1967) continua a dividir opiniões, provocando reações muito parecidas com a de Riobaldo. Afinal, os mais de 1.500 estudos existentes sobre Grande Sertão: Veredas foram escritos por doutores ou ditados pelo diabo, interessado em confundir os homens com uma linguagem ainda mais labiríntica que a inventada por Rosa? A julgar pelas reações dos críticos ao recente Grande Sertão.br (Editora 34, 480 pp., R$ 44), do professor de Literatura da USP Willi Bolle, o diabo anda à solta. E gosta de polêmica. Na contramão da tese de Bolle, outro livro acaba de chegar às livrarias, O Brasil de Rosa (Unesp, 349 pp., R$ 45), escrito pelo professor Luiz Roncari, que também dá aulas de literatura na USP. Bolle defende que Grande Sertão: Veredas deve muito a Euclides da Cunha e “contém a idéia de uma reescrita da história do Brasil”, por discutir a ausência de diálogo entre a classe dominante e os que moram no andar de baixo. Roncari considera essa aproximação com Os Sertões “excessiva”.

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