A guerra do Grande Sertão
A pergunta de Riobaldo logo no começo de Grande Sertão: Veredas não deixa dúvidas: seu interlocutor pode ser tanto um “doutor” como o diabo em pessoa. O ex-jagunço, que fez um pacto com o demônio, é incapaz de reconhecê-lo, mas o “coisa ruim” jamais esquece quem o procura. Dois anos antes de completar meio século, o clássico do mineiro João Guimarães Rosa (1908-1967) continua a dividir opiniões, provocando reações muito parecidas com a de Riobaldo. Afinal, os mais de 1.500 estudos existentes sobre Grande Sertão: Veredas foram escritos por doutores ou ditados pelo diabo, interessado em confundir os homens com uma linguagem ainda mais labiríntica que a inventada por Rosa? A julgar pelas reações dos críticos ao recente Grande Sertão.br (Editora 34, 480 pp., R$ 44), do professor de Literatura da USP Willi Bolle, o diabo anda à solta. E gosta de polêmica. Na contramão da tese de Bolle, outro livro acaba de chegar às livrarias, O Brasil de Rosa (Unesp, 349 pp., R$ 45), escrito pelo professor Luiz Roncari, que também dá aulas de literatura na USP. Bolle defende que Grande Sertão: Veredas deve muito a Euclides da Cunha e “contém a idéia de uma reescrita da história do Brasil”, por discutir a ausência de diálogo entre a classe dominante e os que moram no andar de baixo. Roncari considera essa aproximação com Os Sertões “excessiva”.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta


