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Um outro mundo é possível

19 de dezembro de 2004
2 min de leitura
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A literatura do sobrenatural – gênero que se inicia no século 18 e atinge seu apogeu no século seguinte com os clássicos Frankenstein [1818], de Mary Shelley, e Drácula [1897], de Bram Stoker – continua repercutindo vivamente no nosso imaginário, talvez hoje mais no cinema do que nos livros. Mas desde o início foi uma arte difícil, que ilustra um paradoxo histórico: os quadros mentais da modernidade, criados pelo primado iluminista da ciência sobre a superstição, avançavam mais rapidamente que o poder concreto da eletricidade – e afinal continuamos com medo do escuro. Um bom panorama do gênero é a antologia Clássicos do Sobrenatural (Iluminuras, 256 pp., R$ 44). Contendo 15 narrativas, o livro contempla tanto grandes nomes da literatura, como Rudyard Kipling [1865-1936] e Charles Dickens [1812-70], quanto autores menos conhecidos aos não-iniciados. O problema central do gênero está no seu “ponto de verossimilhança” – a narrativa do século 19 foi o império do realismo e contava com um leitor “moderno”: como convencê-lo de que os fantasmas existem e aterrorizam? A técnica mais usada é o tradicional narrador onisciente passar a palavra a uma voz alheia que afirmará “ter visto o que viu com os próprios olhos”.

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