Voyeurismo a serviço da História
Escrever cartas é despir-se diante de fantasmas, dizia Franz Kafka. Mais do que revelar sua intimidade, muitos remetentes expõem nesses relatos seu espaço e seu tempo sob um olhar particular. A partir dessa certeza, o historiador e professor de História da UFRJ Renato Lemos debruçou-se sobre cerca de 200 livros de correspondências de artistas, políticos e intelectuais do Brasil dos séculos XIX e XX. O resultado dessa investigação é o recém-lançado Bem traçadas linhas: a História do Brasil em cartas pessoais (Bom Texto, 480 pp., R$ 49,90). “Existe hoje uma grande demanda pela intimidade de pessoas públicas. Procurei atendê-la oferecendo cartas de pessoas sensíveis, com um olhar arguto sobre o tempo em que viveram”, diz Lemos, que teve a colaboração de quatro alunos de Ciências Sociais e História. “Meu ideal era ter cartas que tocassem nos momentos históricos para o país.” O voyeurismo próprio da obra torna o leitor cúmplice de anotações de personalidades como D. Pedro II, Édouard Manet, Joaquim Nabuco, Capistrano de Abreu, Lima Barreto, Fernando Sabino e Hélio Oiticica.
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