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O gênero das multidões

05 de dezembro de 2004
2 min de leitura

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Ele tem apelo popular, um público fiel, vende bem e já se constitui em uma fatia importante dos catálogos das editoras nacionais, tanto grandes quanto pequenas. Mas as razões para o sucesso do gênero biográfico no país são, em parte, discordantes, segundo a opinião de diretores editoriais, críticos literários e biógrafos ouvidos pelo Mais!. Luiz Schwarcz, da Companhia das Letras, diz que o gênero vem crescendo nos últimos anos em todo o mundo. “O diferencial é que ele sempre foi sucesso no mundo e está crescendo no Brasil especialmente desde os anos 1990”, diz.
“Sempre vale a pena investir em biografias”, diz Schwarcz, cuja editora publicou os “blockbusters” Ruy Castro e Fernando Morais. Para Luciana Villas-Boas, da Record, não é qualquer biografia que desperta o interesse do público, a qualidade não é sinônimo de sucesso editorial e o gênero não é muito fácil de trabalhar. “Já fizemos obras de qualidade, elogiadas pela crítica, mas que fracassaram junto do público.” Carlos Augusto Lacerda, da Nova Fronteira – que vendeu mais de 50 mil exemplares de “Churchill”, de Roy Jenkins –, diz não ver um crescimento específico do mercado de biografias. “A biografia é um estilo quente, mas a tendência de crescimento não é nova”, diz. Para Angel Bojadsen, da Estação Liberdade, há, sim, um crescimento desse mercado. Após o que considera um sucesso das três principais obras lançadas pela editora, que venderam 2.500 exemplares em média – como a bem cuidada Carlos Magno, de Jean Favier –, Bojadsen se diz seguro para editar outras: “Essa vendagem já cobre os gastos e permite trabalhar com alguma folga.”

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