Anos 80, sempre cabe mais um
Nos anos 80, surgiu uma juventude maneira, pronta para respirar os ares da recém-liberdade. Anos conturbados! Não. Estou lembrando é dos garotos que usavam Kichute amarrado na canela, bermuda da OP, carteira e chaveiro de borracha da K&K. Uma turma que viajava na maionese e tinha nas meninas de bermuda jeans da Dimpus, mochila da Cantão 4 ou da Company e batom 24 horas o ideal de vida. O pessoal queria é se divertir, nem que para isso pagasse um mico ou extrapolasse. Essas e outras lembranças dos anos 80 estão no Almanaque anos 80 (304 pp., R$ 49), escrito com muito humor por Luiz André Alzer e Mariana Claudino, para a Ediouro. Para realizar essa viagem ao passado eles não se importaram de passar muitas horas recolhendo material em livros, jornais e revistas antigos. Uma verdadeira garimpagem que valia a pena: “Às vezes, para conseguirmos um único número ou data levávamos dias ou até semanas”, diz Mariana. “Naquela época não havia uma preocupação de se fazer um arquivo. Além disso, ninguém imaginava que um iogurte ou um tipo de caneta iria fazer história. A própria lembrança das pessoas falhava e tínhamos que checar qualquer informação duvidosa.” O resultado está aí: uma bem cuidada edição do designer gráfico Marcelo Martinez, que faz do livro uma pequena preciosidade.
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