Exército de um homem só
Poucos escritores foram tão prejudicados por polêmicas literárias quanto Mário Chamie. Hoje, o criador da “poesia práxis” é mais conhecido por suas divergências em relação ao concretos do que como autor de Lavra Lavra (1962) e Indústria” (1967), livros que deram consistência a seu projeto estético. Isso mostra até que ponto a polêmica sufocou a leitura. Daí a importância de A Palavra Inscrita (Funpec, 408 pp., R$ 30), livro que reúne ensaios, conferências e entrevistas de Chamie. Como crítico literário, Chamie tem textos marcantes, mas igualmente pouco conhecidos. Em A Palavra Inscrita, esse trabalho reflexivo está presente, sobretudo, em dois ensaios. “Mário de Andrade: Fato Aberto e Discurso Carnavalesco” analisa Macunaíma a partir de conceitos que remetem às teorias do lingüista russo Mikhail Bakhtin. Em “Trópico: Uma Cultura Transgressora”, Chamie parte do choque cultural vivido pelo etnógrafo Claude Lévi-Strauss no Brasil para transformar a noção geográfica de trópico num interpretante de nossa realidade.
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