Um Getúlio hamletiano
O título não poderia ser mais abrangente, e ao mesmo tempo, simbólico: Getúlio (Record, 434 pp., R$ 44,90). Sem adjetivação, sem verbos, sem artigos. É a síntese de um homem que transformou seu tempo, um homem que, neste romance de Juremir Machado da Silva está inteiro. Getúlio (o homem, o político) não pode ser qualificado, sob pena de perder-se a exuberância de uma personalidade múltipla, contraditória e densamente rica de interpretações. No romance, percebe-se uma visível simpatia do autor por sua personagem, mas isso não impede o autor de submetê-lo a uma avaliação que, feita na distância do meio século, não se exime de mostrar aqueles aspectos íntimos de sua personalidade, seja nas cenas de alcova, seja na trama de seus artifícios políticos que nem sempre ganharam os jornais. Getúlio (o romance) utiliza a melhor linguagem, aquela que Juremir pratica como jornalista, e que funciona perfeitamente. O leitor logo percebe o jogo das articulações estruturais, que põe em cena todos os protagonistas da tragédia anunciada do 24 de agosto de 1954.
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