Senti um mal-estar súbito: ninguém mais me via
O que poderia ser apenas uma aula do curso de graduação de Psicologia tornou-se um projeto de pesquisa que já dura 10 anos. Em 1994, o então estudante da USP Fernando Braga da Costa teve que acompanhar o cotidiano de um grupo de “trabalhadores braçais”. O jovem não pensou duas vezes: resolveu ser gari por um dia. As expectativas do hoje psicólogo clínico e doutorando em Psicologia foram contrariadas nas primeiras varridas pelo campus: “Buscava a expressão de alguém surpreso: ‘Que roupas são essas?’ Mas nenhum cumprimento. Estava invisível.” Depois de sentir na pele a humilhação social sofrida pelos garis, Fernando passou a conviver com o grupo uma vez por semana para realizar uma pesquisa sobre o fenômeno de invisibilidade pública. Esses 10 anos de trabalho podem, agora, ser conferidos em Homens invisíveis: relatos de uma humilhação social (Globo, 256 páginas, R$ 32).
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