Lins do Rego expõe consciência de limitações
Ainda hoje, quando pronunciamos o nome de José Lins do Rego (1901-1957), ouvimos o eco do romance Menino de Engenho, a rigor mais um documento antropológico que propriamente um monumento estético, quando na verdade talvez devêssemos gritar Fogo Morto, este sim, uma rara obra-prima da literatura brasileira. Essa reflexão inicial vem a propósito do lançamento de O Cravo de Mozart É Eterno (José Olympio, 365 pp., R$ 38), reunião de “crônicas e ensaios” do escritor paraibano, em que deparamos com o autor plenamente consciente de suas limitações. Falando do personagem Vitorino Carneiro da Cunha, de Fogo Morto, afirma: “Penso que é ele hoje o homem capaz de me sustentar de uma crítica rigorosa aos meus romances”. Organizado pelo poeta Lêdo Ivo, o livro traz uma seleção de crônicas publicadas em jornais e reunidas em livros.
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