Lembranças da paixão na colônia ferida pela guerra
Lídia Jorge é considerada uma das melhores escritoras portuguesas contemporâneas. Ganhadora de vários prêmios literários, dentre os quais o Jean Monet de Literatura e o Dom Dinis da Fundação da Casa de Mateus pelo romance A manta do soldado, de 1998. A escritora, nascida em Algarve, é formada em filologia românica e foi professora do ensino secundário. No início da década de 1970, viveu alguns anos na África (Angola e Moçambique), onde lecionou. Na época, as então colônias portuguesas estavam em guerra de independência contra a metrópole, que resultaria na conquista da autonomia. O ambiente de conflito e choque cultural marcou profundamente a autora e inspirou-lhe A costa dos murmúrios (Record, 288 pp., R$ 34,90), de 1988. O romance, que viria a ser seu maior sucesso, chega agora ao Brasil. Lídia participou recentemente da 2ª Festa Literária Internacional de Paraty. Na ocasião, destacou que o colonialismo tem sido bastante abordado na literatura contemporânea de Portugal. Para a escritora, os que identificam nesse movimento um saudosismo do imperialismo lusitano estão enganados. “Não há do que ter saudade”, afirmou ela.
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