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Vidas fragmentada

20 de agosto de 2004
2 min de leitura

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Romances epistolares são tão velhos quanto o século XVIII. Escritores ocidentais e orientais, ao menos uma vez, valeram-se das cartas para construir suas histórias. Leitores dos anos de 1700 fizeram de A nova Heloísa, o romance epistolar de Jean-Jacques Rousseau, um dos maiores best sellers da época, consagrando essa importante característica de um século notável. O Sofrimento do Jovem Werther, de Goethe, e Ligações Perigosas, de Choderlos de Laclos, são outros exemplos de obras da época que transformaram as correspondências fictícias em alta literatura. Outros fizeram de suas cartas verdadeiras o quadro de uma época, de formação intelectual ou de debate. No Brasil, Mário de Andrade, Fernando Sabino, Carlos Drummond de Andrade, etc. No mundo, Samuel Johnson, Evelyn Waugh, Eça de Queirós, etc. O escritor, professor e ensaísta italiano Antonio Tabucchi, fez de seu mais novo livro lançado no País, Está Ficando Tarde Demais (Rocco, 196 pp., R$ 27,50), um romance epistolar. Compôs diferentes enredos, numa obra irregular que oscila no compasso dos sentimentos relatados em 17 cartas. Todas escritas por homens a seus amores distantes, física ou emocionalmente. Se o afastamento é algo inerente às correspondências, Tabucchi amplifica a separação. Retoca a sufocante distância avisando da impossibilidade de resolução. O único afago possível é por meio de palavras, doces como uma declaração de amor; salgadas como uma confissão capital.

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