Terra estrangeira
Age de Carvalho é o mais “estrangeiro” dos poetas brasileiros contemporâneos. Não apenas por ter nascido e se formado à margem dos centros culturais do Sudeste (que, bem ou mal, acabam atraindo intelectuais e artistas de todo país). E não apenas por morar na Europa desde o começo dos anos 80 (inicialmente em Munique, na Alemanha, atualmente em Viena, na Áustria, onde trabalha como designer gráfico). O estrangeirismo de Age de Carvalho diz respeito à natureza áspera e hermética de sua linguagem, que não traz vestígios das tendências dominantes de nossa poesia modernista ou pós-modernista. Uma excelente amostra dessa produção pode ser vista agora em Seleta (88 pp., R$ 17), uma antologia publicada pela editora Paka-Tatu (tel. 91-212-7308), de Belém (cidade natal do escritor), reunindo poemas de seus quatro livros anteriores: Arquitetura dos Ossos (1980), Arena, Areia (1986), Pedra-um (1990) e Caveira 41 (2003).
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