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Versos copiados pelo jovem poeta num caderninho

14 de agosto de 2004
1 min de leitura

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Num reino à beira do rio: um caderno poético – Murilo Mendes (Funalfa Edições, 120 pp.) é um desses curiosos livros que dependem exclusivamente da biografia do autor para se manter de pé. Pois senão, vejamos: trata-se da reprodução – comentada e circunstanciada – de 37 poemas copiados, numa impecável caligrafia, por Murilo Mendes no álbum de uma moça, Maria Luíza Carvalho, vizinha em Juiz de Fora, nos idos de 1919, contando então o poeta 18 anos. Expediente bastante usual entre adolescentes, não teria a menor importância, não se tratasse de uma rara oportunidade de conhecermos as preferências murilianas naquele alvorecer poético. Aos 18 anos, o gosto estético de Murilo orbitava em torno do poeta municipal Belmiro Braga (1872-1937), que pregava a volta da poesia à simplicidade, ao lirismo puro, ao trovadorismo, e do importante pesquisador do folclore brasileiro, Lindolfo Gomes (1875-1953), ambos bem mais velhos e amigos da família Monteiro Mendes.

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