Contra convenções, Leiris defende literatura como risco
Os mais apressados podem achar que “Da Literatura como Tauromaquia”, belo ensaio que precede A Idade Viril (Cosac & Naify, 208 pp., R$ 39), de 1939, primeiro texto propriamente autobiográfico do francês Michel Leiris (1901-1990), anuncia a tomada de partido do autor por uma linguagem mais espontânea, mais suja e irrefletida, próxima da chamada “língua das ruas”, a que os escritores costumam recorrer sempre que precisam de um modelo de autenticidade contra a artificialidade acadêmica. A originalidade do projeto autobiográfico de Leiris é outra. O autor faz a defesa da literatura como risco, contra as convenções anódinas das “belas letras”, tomando como imagem as touradas e os toureiros, que põem a própria vida em jogo. Cabe notar, entretanto, que para Leiris esse risco na literatura significa arrancar todas as máscaras, se expor até o osso, e que a idéia de uma linguagem “mais espontânea” pode não passar de um tipo de idealização, uma máscara entre outras.
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