O pensador sem fronteiras
Jacques Derrida é um pensador que não respeita convenções temáticas ou formais, nem pretende construir métodos, doutrinas ou grandes sistemas. Em Papel-máquina (Estação Liberdade, 360 pp., R$ 44), ele aproxima a filosofia da literatura, da crítica e até mesmo da autobiografia, ignorando (mais do que destruindo) as fronteiras entre os gêneros. Geralmente partindo de problemas ligados ao texto, ou ao que ele chama de “experiência da escrita”, a sua reflexão, sempre altamente pessoal, incorpora questões éticas, políticas e estéticas. Ele próprio de origem argelina, Derrida atualiza, por exemplo, o debate sobre a explosiva questão dos imigrantes ilegais na Europa e das identidades culturais em conflito em tempos de globalização. Papel-máquina se divide em duas partes. A primeira – intitulada “Matéria e memória”, evocando Bergson – reúne duas conferências feitas por Derrida na Biblioteca Nacional da França, em 1997 e 2001. A segunda reúne entrevistas, artigos e ensaios “reativos”, isto é, provocados por convites, perguntas, provocações, e publicados em jornais e revistas como Les Temps Modernes e La Quinzaine Littéraire.
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