Conto investiga os limites do homem
Quem não gostaria de ter o corpo de David Beckham? Ou de Gisele Bündchen? Sobretudo se o original já estiver, pela idade, falhando miseravelmente? É essa a “tentação” oferecida ao sexagenário Adam, em “O Corpo”. A idéia é que o cérebro já pode ser transplantado para corpos belos e jovens, mortos em circunstâncias misteriosas. Adam aceita a proposta, mas por uma temporada de seis meses. Ele escolhe o corpo forte e bronzeado. Nos meses seguintes, ele usa esse corpo para divertir-se em boates e praias da Europa. É admirado, amado. E odiado.
O Corpo e Outras Histórias (Companhia das Letras, 304 pp., R$ 43,50), coletânea de Hanif Kureishi, tem resultado irregular, pois muitas histórias não alcançam a repercussão imaginativa da bastante alongada “O Corpo” (152 páginas). Exceção é “Careta”, devastador retrato da vida noturna londrina, que envolve as pessoas em seu hedonismo ensandecido, baldando-lhes a real comunicação. Outro bom texto é “O Toque”.
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