Publicidade
Voltar CLIPPING

Eterno movimento do círculo

24 de julho de 2004
1 min de leitura

Publicidade
Publicidade

Mestre do gênero, Cortázar comparava o conto à imagem do círculo, forma geométrica perfeita, em que um ponto não pode se separar da superfície total. Diferentemente do romance, cujas possibilidades de bifurcação e abertura de novos campos revelam-se ilimitadas, ao conto não bastaria uma trama interessante: seria preciso enredá-la dentro de tal esfera. A tese de Cortázar semeia as 12 breves narrativas que compõem Os lados do círculo (Companhia das Letras, 160 pp., R$ 32), terceiro livro do gaúcho Amilcar Bettega Barbosa. Dotado de impressionante organicidade, o novo trabalho de Bettega funde-se acima de tudo nos vasos comunicantes que os contos estabelecem entre si, encenando uma mímesis possível do movimento do círculo, cuja linha percorre infinitamente o mesmo trajeto. A proposta fica evidente na própria estrutura da obra, erigida sobre ciclos que se encerram e recomeçam, como um moto-contínuo.

Tags:
Compartilhar:

Leia Também

Gostou deste conteúdo?

Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email

Toda segunda e quinta
Publicidade