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Vidas secas

24 de julho de 2004
2 min de leitura

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Muitos anos depois, diante de qualquer pelotão de fuzilaria da literatura mundial, Juan Rulfo é lembrado como o homem que levou a América Latina a conhecer suas chamas literárias. Com apenas uma dupla de livros pequenos, publicados nos anos 50 e com o intervalo de dois anos, este mexicano da nanica Sayula cravou-se nos planaltos da ficção universal como uma daquelas pirâmides astecas, gigantes, estranhas e silenciosas. Os ecos de Pedro Páramo, seu único romance, safra 1955, podem ser ouvidos atualmente na Tailândia e na Noruega, na Coréia e em Israel, países que estão lançando este ano novas edições do livro; seus ecos correm soltos na França, onde o Le Monde publicou um artigo de um dos principais escritores marroquinos sobre sua paixão por esta obra; seus ecos voltam com toda sua força ao Brasil. A editora Record está lançando esta semana, em um volume só (400 pp., R$ 44,90), os dois filhos únicos do escritor nascido em 1917 e morto em 1986. Além de Páramo, o livro tem os contos de Chão em Chamas. Eric Nepomuceno, escritor e jornalista, responsável pela nova tradução, não conheceu de cabo a rabo apenas os escritos de e sobre Rulfo. Amigo pessoal do escritor, chegou até a morar em um apartamento dele no México do final dos anos 70.

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