O repórter caveirinha
Nelson Rodrigues costumava dizer que tinha escolhido a reportagem policial porque “com um ano no metier, o sujeito ganhava a experiência de um Balzac”. Será? Para saber como teria sido este primeiro ano do repórter e quais as marcas teria deixado em sua literatura, o organizador de O baú de Nelson Rodrigues, Caco Coelho, vasculhou em jornais e revistas dos anos 20 e 30 tudo o que o escritor publicou com o próprio nome ou pseudônimo. O baú de Nelson Rodrigues: os primeiros anos de crítica e reportagem – 1928-35 (Companhia das Letras, 288 pp., R$ 39,50) levanta não apenas o primeiro ano, mas os primeiros 80 meses de trabalho do repórter e crítico, entre 1925 e 1935. Ao todo, foram catalogadas 837 edições de A Manhã, belicoso jornal fundado por Mário Rodrigues, onde seu filho Nelson estreou aos 15 anos, 610 edições de Crítica, também criado pelo pai, e mais de 2 mil de O Globo, que, na época, chegava a publicar até sete edições por dia.
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