Um show de bola com cheiro de pão e sangue
Quando se fala nos maiores times de futebol de todos os tempos, se algum gigante russo por acaso é citado, a escolha recai, quase sempre, sobre o Dínamo de Moscou. Por que o Dínamo de Moscou? Por que não o Dínamo de Kiev? Porque o Dínamo de Moscou teve a sorte de ser fartamente visto, fotografado e filmado, vantagens sonegadas ao Dínamo de Kiev, rebatizado de Start durante a ocupação de Kiev pela Alemanha nazista, quando viveu seu mais glorioso momento histórico. Enquanto se chamou Start, o Dínamo ucraniano jamais foi derrotado. Em suas nove vitórias, marcou 56 gols contra 11 dos adversários. Nas duas últimas, selou o seu trágico destino, superando uma bem nutrida equipe alemã. Ultrajados, os ocupantes nazistas se vingaram das duas derrotas. Bem longe de um gramado. E com a truculência que lhes era peculiar. Os invasores não sabiam mais o que fazer para subjugar os craques de Kiev. No desespero, apelaram para o Flakelf, o time da Luftwaffe, um dos orgulhos da arrogância teutônica. Tido como invencível, o Flakelf entrou no estádio Zenit de nariz empinado e saiu cabisbaixo, depois do baile que os russos lhe deram. O placar de 5×1 foi até modesto. “Quando o Flakelf foi derrotado – e derrotado de modo inequívoco, as atitudes mudaram e a temporada de futebol de súbito adquiriu uma dimensão abertamente ideológica”, um confronto entre o comunismo e o fascismo, informa Andy Dougan, o jornalista inglês que há três anos publicou a história mais completa e confiável do torneio infernal liderado pelo Start, que a Jorge Zahar Editor acaba de traduzir e lança no próximo dia 3, com o título de Futebol & Guerra – Resistência, Triunfo e Tragédia do Dínamo de Kiev Ocupada pelos Nazistas (204 pp., R$ 29).
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