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A história da Tijuca, rua a rua

23 de julho de 2004
2 min de leitura

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A Tijuca, um dos mais tradicionais bairros do Rio, não é mais aquela. Tornou-se impossível pegar um cineminha na Praça Saens Peña porque, em seu entorno, não há mais salas de cinema. A violência no bairro afasta os moradores das ruas, desertas e perigosamente escuras à noite. Com medo dos assaltos, os moradores evitam sair de casa e o comércio fecha cedo. A trilha sonora, durante as madrugadas, é feita de tiros de fuzis e metralhadoras. Quando faz silêncio, é ilusório: logo estouram os fogos de artifício que anunciam a chegada das drogas aos pontos-de-venda. Ou então irrompe o pancadão do funk. Mas, felizmente, ainda se ouve outro tipo de música por lá. A brava rapaziada que promove, aos sábados, a roda de samba do Bar da Maria, na Muda – mais precisamente na Rua Garibaldi – parece dizer: “No pasarán! No pasarán!”, enquanto organiza mais um desfile do bloco “Não Muda Nem Sai de Cima”. O local seria perfeito para o lançamento do livro Tijuca, de Rua em Rua – Praça da Bandeira ao Alto da Boa Vista (225 pp., R$ 40), da pesquisadora Lili Rose Cruz Oliveira, com o qual a Universidade Estácio de Sá, em parceria com a editora Rio, inaugura a Coleção Rio, dedicada a contar a história dos bairros da cidade. Não por acaso, Moacyr Luz apresenta o volume, em texto intitulado “Sou Tijucano: Título Soberano”.

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