Arquitetura da destruição
Nascida em Nova York, em 1870, descendendo de holandeses, ingleses, irlandeses e italianos, Dropsie foi testemunha dos principais acontecimentos do século 20: viu as casas surgirem, a eletricidade chegar e os trilhos de trem sendo erguidos; sobreviveu ao crash de 1929, às duas guerras mundiais e ao fiasco no Vietnã. Cem anos depois, sucumbiu à especulação imobiliária. Dropsie era uma avenida. Personagem principal da história em quadrinhos homônima de Will Eisner, 87, o endereço fictício de um nem tão fictício assim bairro do Bronx, onde nasceu o autor, acaba de ser transportado para o Brasil pela editora Devir, que lança a obra, originalmente de 1995, pela primeira vez no país. Avenida Dropsie: A Vizinhança (Devir, 176 pp., R$ 35) vem somar-se a outras novelas gráficas de Eisner, como Contrato com Deus, O Edifício e Nova York., que têm a cidade, e não apenas os seus moradores, como protagonista da história. O assunto, longe de ser um mero artifício estilístico, é também tema do debate “Will Eisner e a Arquitetura nos Quadrinhos”, que a editora promove amanhã, na Fnac Paulista, às 19h., com a presença do professor da USP Waldomiro Vergueiro, dos quadrinistas Lourenço Mutarelli e Gualberto Costa e do jornalista Sidney Gusman.
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