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A nova invasão russa

18 de julho de 2004
2 min de leitura

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A tradução de Rubens Figueiredo para a peça A Gaivota (Cosac & Naify, 112 pp., R$ 25), de Tchekhov, lançada agora para marcar o centenário de morte do escritor, poderia ser mais uma das protocolares versões que as editoras resolvem, de vez em quando, ressuscitar do catálogo, não fosse ela assinada por um escritor premiado e publicada por uma editora reconhecida pela excelência de suas traduções de autores russos. Antes lidos em versões intermediadas pelo francês ou inglês, grandes escritores russos do século 19 – Tolstói, Dostoiévski, Turguêniev, Tchekhov – chegam aos leitores brasileiros com a ajuda de veteranos da tradução direta, como Boris Schnaiderman, Tatiana Belinki, Karla Gourianova e Paulo Bezerra, e representantes da nova geração de tradutores, entre eles Rubens Figueiredo e Fátima Bianchi. As razões dessa redescoberta do mercado não estão ligadas exclusivamente ao prestígio que tais autores emprestam às editoras. Tolstói, hoje, é o carro-chefe da coleção Prosa do Mundo, da mesma Cosac & Naify, com mais de 10 mil livros vendidos, concorrendo com autores como Stendhal e Hermann Melville. A editora lançou três livros de Tolstói e parte para a quarto em 2005: o tradutor Rubens Figueiredo assumiu o desafio e está vertendo para o português a monumental obra de Tolstói, Anna Karenina. Tolstói concorre com Dostoiévski em popularidade e número de traduções. O veterano Paulo Bezerra assinou a versão para o português de Crime e Castigo e outra editora, a 34, acabou lançando esse e outros títulos de Dostoiévski, que vendem, em média, mais que Tolstói. Crime e Castigo vendeu 18 mil exemplares e incentivou a 34 a lançar outros seis títulos do autor, que ganha mais dois ainda este ano: Os Demônios, com tradução de Paulo Bezerra, e Um Jogador, traduzido por Boris Schnaiderman.

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