As formas anatômicas da Capela Sistina
No que pensava Michelangelo Buonarroti enquanto pintava o teto da Capela Sistina, uma de suas obras-primas? Provavelmente somente em seus pincéis e tintas para fazer os complicados afrescos com cenas do Gênesis, de profetas, querubins, sibilas e antepassados de Cristo. Mas talvez ele pensasse também em algo mais, em transmitir uma sutil lição de anatomia. Não para olhos leigos, mas para os privilegiados conhecedores, como ele, da anatomia humana. Para os olhos treinados do neurologista americano Frank Meshberger, a mais famosa imagem da Capela Sistina, “A Criação de Adão”, transformou-se em um corte sagital do crânio em um artigo publicado em 1990. Dez anos depois o nefrologista Garabed Enokian, também americano, afirmou que havia achado um rim no manto direito da figura do Criador na cena “A Separação das Águas e da Terra”. As duas descobertas, no entanto, ficaram esquecidas até o cirurgião brasileiro Gilson Barreto, fascinado por artes plásticas, resolver investigar a fundo, em 2003, as possíveis relações entre os afrescos e formas anatômicas. “No início de 2003, fui tomado por um desses súbitos e misteriosos insights: se na cena da criação de Adão Michelangelo fizera uma representação do crânio, não teria também desenhado outras peças anatômicas nos demais afrescos?”, diz Barreto no recém-lançado A Arte Secreta de Michelangelo (Arx, 230 pp., R$ 65).
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