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Festa sem polêmicas

16 de julho de 2004
2 min de leitura

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Comecei o Flip com o pé direito. Antes da palestra inaugural, perguntei à escritora Vilma Guimarães Rosa se o pai dela havia ganho dinheiro com a literatura. Em troca da minha ousadia, obtive uma emocionada declaração de uma filha apaixonada que, sem esconder o orgulho, sentenciou: “Não. Papai sempre dizia: eu precisei trabalhar até o fim da minha vida para ganhar o meu salário.” No mesmo dia, em outra ocasião, eu me aproximei do escritor Luis Fernando Verissimo, me apresentei, mostrei minha credencial de repórter da Gazeta Mercantil e disse-lhe que tinha uma pergunta sobre dinheiro e então, sem hesitar, disparei: “O senhor ficou rico com a literatura?” Ele, muito calmo, respondeu: “Não. Ninguém fica rico com a literatura.” Confesso que não sou um tipo crédulo, mas, talvez pela admiração que tenho pelo criador do analista de Bagé, resolvi acreditar. Na manhã seguinte, tomando um café na “Tenda dos Bastidores” – os bares de Paraty onde acontecia de tudo, inclusive reuniões de trabalho – contei o sucedido a dois amigos que são funcionários de uma importante editora. O primeiro foi logo me advertindo: “Ô Marcius, tu não tá vendo, mas esta é a mais nova piada do Verissimo.” O outro, nascido em Mariana, pertinho de Ouro Preto, cofiando seu grisalho bigode soltou uma risada curta e comentou entre dentes: “Mineirinho. Gaúcho mineirinho.”

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