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Nova Aguillar põe frente a frente dois gigantes da literatura

13 de julho de 2004
2 min de leitura

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Quando se põem frente a frente dois gigantes da literatura mundial como ocorre agora, com a republicação das obras reunidas de Leão Tolstói: obra completa (3 volumes, R$ 323) e Fiódor Dostoiévski: obra completa (4 volumes, R$ 368) pela editora Nova Aguilar, vem-nos, de imediato, querer compará-los e descobrir semelhanças e diferenças. Fora a contemporaneidade e a estatura moral, essas últimas parecem ser as mais conspícuas. Fiódor Dostoiévski, o autor franzino e epiléptico, eslavófilo e a favor do czarismo, condenado aos trabalhos forçados na Sibéria, que, assim mesmo, matou o paternalismo na literatura e introduziu em sua obra o que se consagrou como sendo a “polifonia”, ou seja, o diálogo interno, a livre expressão de cada personagem. E é o leitor quem decide, afinal, com quem concordar, com quem se identificar. E do outro lado, Leão Tolstói, leão no nome e no aspecto, membro da mais alta nobreza, mais do que paternalista, “escritor a tese”, desapiedado, pedagogo, excomungado pela Igreja Ortodoxa, criador de um novo evangelho, de uma doutrina contra a violência, que terá em Gandhi um de seus maiores intérpretes, de uma nova maneira de escrever, em que a metáfora profanadora e o estranhamento desautomatizador são os procedimentos-chave.

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