Paraty flipou
O Urubaldo foi eleito o mascote da Festa Literária Internacional de Paraty. O urubu que vez por outra pousava na Praça da Matriz, quase sempre anunciando chuva, ganhou o apelido em homenagem a João Ubaldo Ribeiro, único dissidente do evento que reuniu 36 escritores e cerca de 30 mil leitores entre quarta-feira e ontem, na cidade histórica.
No último dia, a idealizadora do evento, Liz Calder, ressaltou o tamanho que a festa alcançou. A Tenda Principal quase quadruplicou de tamanho, de 195 vagas no ano passado para 550 este ano. No espaço com telões, o número de cadeiras saltou de 176 para 1.100. Para Liz, as surpresas foram o escritor angolano José Eduardo Agualusa e a bem-montada Livraria da Vila, de São Paulo, que ganhou a concorrência para ser o ponto de vendas oficial da Flip, já que seria inviável utilizar apenas a pequena livraria da cidade. A editora inglesa defendeu o projeto de apoio à tradução da Biblioteca Nacional, que distribuiu aos editores e agentes literários estrangeiros capítulos traduzidos de autores brasileiros. Para a Flip 2005, até agora, só o tamanho está definido, que deverá ser idêntico ao deste ano. Clarice Lispector deve ser a homenageada. O sucesso de cada palestrante podia ser medido pela vendagem de seus livros. Autores quase desconhecidos (que antes eram citados pela imprensa como “et ceteras”, nas palavras de João Ubaldo), como Agualusa, o português Miguel de Sousa Tavares, a espanhola Rosa Montero e os brasileiros Ferréz e Marcelino Freire viram centenas de exemplares de seus livros sumirem das prateleiras.
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