Chico faz gol de letra em pelada literária
O jogo mais importante da rodada foi no acanhado Trevo Clube, a quatro quilômetros de Parati. De um lado do campo, um combinado de paratienses como Ferrugem, Cazuza e Alicate, todos com as camisas rubro-negras do Pontal Esporte Clube; do outro, o time da Flip, com um dos centroavantes mais conhecidos do país, Chico Buarque de Holanda. A pelada começou cravadas 13h de ontem, com um pontapé inicial (para o lado errado) da veterana editora inglesa Liz Calder. Mas foi no finalzinho do combate, com chuva apertada e os espectadores já mais interessados na feijoada do salão ao lado do que nos pontapés do futebol society, o lance capital, o gol mais famoso já feito nos gramados de Parati. Aos 29 minutos do segundo tempo, Chico Buarque avançou pela meia-esquerda, carregou a bola para o pé canhoto e arrematou no canto direito do goleiro Nanã, técnico em eletricidade de Parati que vinha fazendo de tudo para estragar a festança. “Gol de letra”, brincou o escritor José Roberto Torero. O técnico da equipe da Flip, o editor Luiz Schwarcz, comandou seus jogadores em estilo Felipão. De pé, na beira do gramado, gritava expressões como “troca a bola na saída”, “Chico, tem dois na esquerda” ou o enigmático “voltem para cobrir o beque”. Parece que funcionou. Nos primeiros 30 minutos, seu time, o de Chico, enfiou um 3 x 2 no time de Parati (que, diga-se, foi orientado, a reportagem testemunhou, “a pegarem leve”); na segunda etapa, fizeram 5 x 2 em cima de um combinado de “amigos da Flip” também. Antes de sair, Chico Buarque respondeu a uma pergunta da Folha: “Quem foi o melhor jogador em campo?” Sua resposta: “A modéstia me impede de dizer.”
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