Um reencantamento do mundo
“Cada coleção é um teatro da memória, uma dramatização e uma ‘mise-en-scène’ de passados pessoais e coletivos, de uma infância relembrada e da lembrança após a morte. Ela garante a presença dessas lembranças por meio dos objetos que as evocam. É mais do que uma presença simbólica: é uma transubstanciação.” A frase do ensaísta Philipp Blom, extraída de Ter e Manter – Uma História Íntima de Colecionadores e Coleções (Record), ajuda a compreender O Livro de Zenóbia (Lamparina, 160 pp., R$ 29,50), primeira obra de ficção da crítica literária e poeta Maria Esther Maciel. Enigmático em sua simplicidade, o livro é uma espécie de baú de histórias articuladas ao redor de Zenóbia – personagem ficcional composta por caracteres que parecem extraídos de memórias e tradições familiares.
Essa ambigüidade é reforçada pela nota biográfica colocada no fim do livro: “Zenóbia nasceu na fazenda Palmyra, nos arredores de Patos de Minas, em 25 de março de 1922. (…) Dizem que escreveu três livros de poemas, dois romances, uma coletânea de 20 contos curtos, duas biografias de santas e um pequeno estudo sobre orquídeas. Quase todos inéditos”.
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