Intervenção crítica de Nelson de Oliveira
[Verdades provisórias] (Escrituras, 208 pp., R$ 28): livro cujo título é antes uma armadilha. E, no seu ensaio mais irreverente, Nelson de Oliveira adverte com bom humor o eventual resenhista: “Nos suplementos literários ninguém fala das capas, das orelhas, das lombadas”. O ensaio apropriadamente se intitula “Apologia dos miúdos de frango, digo, de livro”. Começo, então, mencionando a capa, a orelha, a lombada, inclusive a quarta capa. A capa e a lombada prometem [Verdades provisórias]. Assim mesmo: o caráter temporário da(s) verdade(s) é evidenciado pela colocação do título do livro entre colchetes. Já a folha de rosto parece confundir o leitor, pois anuncia [Verdades geométricas]. A adjetivação cética da “verdade” prossegue em todas as páginas ímpares do volume. Acompanhemos o exercício. As verdades se revelam “polifônicas”, “abruptas”, “barrocas”, “digestivas”, “garimpadas”, “jornalísticas”, etc. E assim sucessivamente até os costumeiros dados biográficos na última página, mas que agora oferecem [verdades patológicas].
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