Um rombo histórico
Mais obras podem ter sido furtadas da biblioteca do Museu Nacional, em São Cristóvão, além das 24 cujo sumiço foi constatado num inventário preliminar feito pela instituição, como noticiou ontem Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO. Como ainda não foi feito o levantamento de todo o acervo, a direção do museu suspeita que os ladrões tenham levado não só os in-fólios (tipo de livro com até 70 centímetros de altura) dos séculos XVI a XIX. A maioria das obras, com registros da fauna e da flora feitos por cientistas europeus, não existe em qualquer outro lugar do mundo. Quem furtou as peças não deixou vestígios e sabia o valor e a localização de cada obra. Tanto que deixou para trás encadernações que não são originais, de valor inferior. A biblioteca tem 1.700 in-fólios e outros 2.500 livros raros, protegidos por poucos seguranças. O prédio de sete mil metros quadrados não tem qualquer sistema especial de vigilância ou de proteção contra incêndio. As portas não foram arrombadas, o que leva a crer que o furto tenha sido praticado com a ajuda de algum funcionário. “Parece que o ladrão tinha a chave da porta”, disse o diretor do museu, Sérgio Alex Azevedo. “Vamos levantar verba para instalar imediatamente um circuito interno de TV na biblioteca.” Entre as raridades levadas, estão um in-fólio de Hans Staden, em latim, de 1592, e outros da coleção da família imperial. Uma das peças já havia sido furtada antes: um in-fólio publicado na França, em 1801, com registros de aves da América do Sul. Foi levado em 1989, com outras 17 obras, e recuperado num antiquário francês. Laura Maria Gayer Takche, chefe da biblioteca, não se arriscou a dizer o valor total das peças furtadas: “São obras de valor incalculável.”
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