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Adaptação de clássicos provoca polêmica

02 de maio de 2004
2 min de leitura
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A adaptação de obras canônicas para o público infanto-juvenil – que cresceu muito nos últimos anos – tem dividido o mundo editorial o Brasil. Alguns editores e escritores rejeitam essas adaptações, classificando-as de “traições” ao espírito dos clássicos. Entre os que aprovam as adaptações, a justificativa comum conduz à mesma fonte: muitos deles começaram a ler os clássicos ainda crianças, estimulados pelas versões do escritor Monteiro Lobato, que há mais de meio século adaptou Cervantes (Dom Quixote) e Jonathan Swift (Gulliver) para leitores em idade escolar. Esse mesmo público-alvo tem provocado uma avalanche de adaptações, entre as quais a mais recente é justamente o livro Viagens de Gulliver de Swift, recontado pelo escritor Fernando Nuno por encomenda da editora Difusão Cultural do Livro, que lançou anteriormente sua versão de Robinson Crusoe, o clássico de Daniel Defoe. Nuno é um editor experiente. Ele ousou transformar as peças de Shakespeare em contos para adolescentes. Já lançou cinco adaptações em prosa de suas 38 peças para a Editora Objetiva. Os números impressionam. O maior cliente é o governo, que estimula o comércio de clássicos e o segmento “mercado-escola” com um programa de adoção de obras disputado por todas as editoras. Muitos desses livros nem sequer chegam ao mercado convencional. Dispensam compradores fora da esfera governamental. Só as adaptações de Fernando Nuno venderam mais de 1 milhão de exemplares. Como boa parte dos leitores de sua geração, Nuno começou a ler os clássicos por meio das adaptações de Lobato ou da coleção da Tecnoprint (hoje Ediouro), que nos anos 1960 convidou consagrados escritores como Clarice Lispector, Paulo Mendes Campos e Fernando Sabino para adaptar clássicos estrangeiros.

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