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Editores discutem validade da adaptação

02 de maio de 2004
2 min de leitura

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Ainda que os grandes clássicos da literatura universal tenham se transformado em produtos de consumo, as adaptações não são vistas da mesma maneira por todos os editores. Os responsáveis pelas coleções que chegam ao público adolescente enfrentam a concorrência como uma guerra. Nela, Cervantes sai tão mutilado como Melville, sobrando tiros para Machado de Assis e outros clássicos. O editor Fernando Paixão, da Ática, não gosta de resumos ou adaptações muito livres. “Elas têm de estimular o leitor, não substituir o original”, observa. De qualquer modo, as tiragens são estimulantes demais para que alguém desconsidere o apelo de um clássico recontado por uma grife do mercado editorial. O escritor gaúcho Moacyr Scliar já vendeu mais de 50 mil exemplares de sua versão do clássico O Guarani, de José de Alencar, e sua adaptação de O Alienista (O Mistério da Casa Verde) atinge a média de 15 mil livros por ano. O editor Jiro Takahashi, um dos sócios da Geração Editorial, já assinou adaptações de clássicos (O Corcunda de Notre Dame e Ivanhoé, ambos para a Scipione), mas pensaria duas vezes antes de escrever uma nova versão. “Por uma questão de honestidade, teria de assinar meu nome antes do autor, porque trata-se de uma outra obra”, diz.

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