Um golpista legalista
É possível considerar defensor do primado da Lei alguém que em duas oportunidades conspirou contra um presidente eleito segundo as regras vigentes? E como explicar que, entre esses dois episódios, tenha enfrentado seus pares para defender outra posse apelando para a Constituição? A mesma pessoa que, após defender um governo implantado por intermédio de ato claramente ilegal, passe quatro anos combatendo esse governo usando como argumento a legalidade? Essa aparente contradição é a questão abordada em Justiça fardada (Bom Texto, 368 pp., R$ 47), do pesquisador Renato Lemos, que traça um perfil do general Peri Constant Bevilaqua, apoiado nos pareceres e votos dados por ele quando foi ministro do Superior Tribunal Militar, nos primeiros anos do regime de 64.
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