A pobre iconografia paulistana
Não seria absurdo algum pensar que uma cidade tão cheia de superlativos como São Paulo tivesse sido, durante toda sua história, objeto de grande interesse de artistas e fotógrafos. Mas a verdade é que nem sempre ela teve tanta importância. De fato, durante muito tempo não passou de um vilarejo pobre, acanhado e de difícil acesso. E foi assim, acanhada e desinteressante, que ela permaneceu durante os primeiros 300 anos de sua história. Não causa espanto, pois, o fato de não ter haver uma imagem sequer deste período, pintura, aquarela ou desenho que desse conta de nos mostrar que feições tinha aquela pequena localidade. Os mais antigos registros de que se tem notícia são trabalhos da primeira metade do século XIX, um conjunto reduzido, ainda que se possa destacar a boa qualidade artística da maior parte do material preservado.
Do período anterior ao surgimento da fotografia na cidade são conhecidas atualmente somente 80 imagens da paisagem de São Paulo, mais 60 que tratam do povo paulista, segundo atesta Pedro Corrêa do Lago no livro Iconografia Paulistana do Século XIX (Capivara, 184 págs., R$ 123). Trabalho de referência sobre o assunto, o livro foi publicado pela primeira vez em 1998 e agora está sendo relançado, em versão revista e ampliada, com um conjunto de 180 das mais antigas ilustrações de São Paulo, algumas delas inéditas.
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