Luz sobre a herança de Sganzerla
Na hora em que abriu a porta do quarto em que o cineasta Rogério Sganzerla guardava suas coisas, Hernani Heffner tomou um susto:”Não dava nem para entrar de tão entulhado. Tivemos que tirar uma parte, espalhar e montar o quebra-cabeça”, lembra Heffner, responsável pela preservação de filmes da Cinemateca do MAM. O quebra-cabeça a que ele se refere é a catalogação das mais de 500 latas que Sganzerla mantinha em seu apartamento na Urca. Heffner visitou a casa pela primeira vez no começo de novembro, quando o diretor já estava bastante debilitado pelo câncer que o vitimou no último dia 9. A atriz Helena Ignez, que foi casada com o diretor nos últimos 35 anos, calcula que 30% da produção de Sganzerla para cinema permanecem inéditos. Ainda não deu tempo de fazer o levantamento do material escrito que havia no quarto, mas já se sabe que ele deixou cerca de 30 roteiros inéditos. O aposento continha também outra preciosidade em papel: um livro feito nos últimos oito anos sobre sua obsessão maior, o americano Orson Welles. “A idéia é publicá-lo. Além disso, a crítica e professora de cinema (francesa) Catherine Benamou nos contactou porque vai usar uma parte para abrir o livro que está fazendo sobre Welles”, diz Helena.
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